José Kléberson Pereira é, hoje, o maior garoto-propaganda do Paraná e, principalmente, da região Norte do Estado. Nascido em Uraí, criado em Ibiporã e lançado ao mundo do futebol em Londrina (no PSTC), Kléberson virou notícia, no Brasil e no mundo, pelo talento demonstrado na Copa da Ásia. Talento este que deve alçá-lo a vôos mais altos, provavelmente na Europa, apesar de PSTC e Atlético-PR, detentores dos direitos federativos do jogador (o antigo passe) não falarem a mesma língua nos últimos dias.
Enquanto o procurador do jogador e acionista do PSTC, Mário Iramina, defende que este é o melhor momento para negociar o atleta, o presidente do Atlético, Mário Celso Petraglia, desconversa, dizendo que Kléberson deve ser mantido no rubro-negro. É claro que o “manda-chuva” do time curitibano não vai querer entrar em conflito com a torcida do clube, mas dificilmente recusará uma oferta milionária. Ontem, a Agência Lancepress! dava conta de que a Lazio, da Itália, estaria disposta a pagar US$ 20 milhões por Kléberson.
Negociando o atleta, o PSTC terá direito a metade do valor. Que negócio, em sete anos (tempo de existência do clube amador londrinense), renderia tanto a um investidor? Eu desconheço e fico com uma pergunta martelando a cabeça: Por que o Londrina, clube de tradição e história, não consegue descobrir talentos do quilate de um Kléberson? E a resposta é irônica: o jogador de 23 anos chegou a fazer teste no Tubarão e... foi reprovado.
Um lapso desses, claro, não acontece só no LEC. O capitão Cafu também ouviu vários ‘nãos’ antes de se firmar e fazer sucesso no futebol. Mas o que impressiona na comparação entre os clubes é que vários jogadores promissores do Londrina foram lançados ao anonimato nos últimos anos. Só para exemplificar, lembro dos atacantes Bráulio, que se destacou no Tubarão na década de 90 e depois sumiu do mapa, e do Rodrigo, artilheiro do Campeonato Paranaense de Juniores de 1998, que chegou a ir para o Atlético-PR, rodou por alguns times e recentemente voltou ao Alviceleste.
Enquanto isso, o PSTC, na esteira do sucesso de Kléberson, tem no rubro-negro da capital o atacante Dagoberto, que já se destacou na campanha do título nacional, no ano passado. É dinheiro em caixa, na certa. Além disso, segundo o “caça-talentos” Ticão, olheiro do PSTC, o clube de Londrina está para repassar ao Atlético outra jovem promessa: o meia Fernando, ainda juvenil. Como o talento do Ticão para descobrir craques é conhecido, resta esperar mais uma promessa do PSTC “estourar” na capital.
Quanto ao LEC, antes de talentos, o clube precisa ter gente competente para descobri-los e direcioná-los na carreira. Afinal, depois do Élber, negociado com o Milan, da Itália, no início dos anos 90, o Londrina nunca mais teve um jogador revelado aqui se destacando nos cenários nacional ou internacional. E a própria negociação (US$ 1 milhão), infelizmente, também não resolveu a vida do clube, sempre envolto a crises financeiras. Seria bom se os cartolas do LEC tivessem algumas aulinhas de administração do futebol lá pelos lados da Estrada do Limoeiro, não?
Regis Quirino é jornalista do Jornal de Londrina e publicou esta matéria na página www.sercontel.com.br onde é colunista de esportes e publicou esta matéria em 08/07/2002. |