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Furacão
O que têm em comum Kleberson, Dagoberto, Jadson, Fernandinho e Alan Bahia? Todos se destacaram com a camisa rubro-negra e conquistaram a admiração da torcida atleticana. Esta poderia ser uma das respostas. Mas há outra, que revela algo muito relevante: todos foram revelados pelo mesmo clube, o PSTC. Sigla para Paraná Soccer Technical Center, o PSTC foi fundado em 1994 por um grupo de treze pessoas, dentre médicos, advogados e empresários. Comandado pelo descendente de japoneses Mario Shigueki Iramina, o clube se tornou, em menos de dez anos, o mais bem-sucedido celeiro de craques do futebol brasileiro, conquistando respeito internacional e despertando curiosidade.
Quando os avós de Mario resolveram deixar o Japão para morar no Brasil, mal poderiam imaginar que um dia a família estaria envolvida com futebol e responsável por promover o caminho inverso, mandando vários jogadores brasileiros para o Oriente. Filho de fazendeiros, Iramina formou-se em Direito, mas sua paixão sempre foi o futebol. Há dez anos, resolveu ganhar dinheiro com isso. Captou dinheiro com amigos e fundou o Centro de Treinamento de Futebol do Paraná.
Logo depois, o nome foi trocado por PSTC, a fim de facilitar a divulgação no exterior. O objetivo era atrair garotos de outros países (principalmente do Japão) e obter renda com a venda de "pacotes" de treinamento no Brasil. A idéia deu certo, mas Iramina começou a ampliar os horizontes: por que não aproveitar a estrutura para revelar jogadores e negociá-los com clubes profissionais? Com muito esforço, o projeto se tornou um sucesso. Em entrevista exclusiva à Furacao.com, o presidente Mario Iramina fala sobre a história do PSTC e a parceria com o Atlético:
Qual era sua atividade antes de fundar o PSTC?
Sou neto de imigrantes japoneses e um filho orgulhoso de seus pais fazendeiros. Como bom filho, me formei em Direito, tentei ser fazendeiro, e hoje estou tentando me realizar dentro do futebol, que é a grande paixão da minha vida.
Como funciona o trabalho do PSTC na garimpagem dos jogadores?
Trabalhamos como todos os clubes de formação. Aí não existe segredo, com rede de olheiros e testes realizados nos clube.
Qual a estrutura que o clube oferece aos seus atletas?
Uma estrutura nada excepcional, mas confortável e saudável, onde todos os dias buscamos melhorar nosso trabalho dentro e fora de campo. Na formação dos atletas, procuramos lhes dar o sentido de equipe, independente de posições. Por isso, temos treinador para goleiros, para zagueiros e para atacantes.
O principal objetivo do clube é colecionar taças ou revelar bons jogadores?
Conquista de títulos é fator motivador para qualquer ser humano e não deixa de ser um dos nossos objetivos e dos atletas. Mas sempre primamos pela qualidade técnica e postura de time grande. Resumindo: "fazer um bom espetáculo de futebol".
Os jogadores revelados pelo PSTC têm um grande carinho pelo clube. Vocês continuam mantendo contato com eles e eles se preocupam em saber como está indo o clube?
Talvez o maior sucesso do PSTC esteja neste ponto. Temos os mesmos objetivos e os mesmos sonhos de realização profissional: diretores, comissão técnica e jogadores. Graças a Deus, até com aqueles que não obtiveram sucesso, mantemos bom relacionamento, inclusive aconselhando e ajudando na medida do possível.
A lista dos jogadores revelados pelo PSTC que brilharam no profissional é longa: Kleberson, Jadson, Fernandinho e Dagoberto, para citar apenas os mais famosos. Qual foi o jogador que mais se destacou jogando com a camisa do PSTC?
Seria injusto apontar o maior destaque nosso porque todos eles contribuíram muito para o nosso sucesso, mas jamais poderia deixar de agradecer e mencionar o nome de dois atletas que impulsionaram o nome do PSTC e nos trouxeram tranqüilidade financeira, para cada dia melhorar o nosso trabalho: Reginaldo Vital e Kleberson.
Muito se fala sobre a qualidade do Ricardinho, que seria um fenômeno. Ele já foi artilheiro do Campeonato Paranaense Juvenil no ano passado, hoje está se destacando nos juniores com apenas 16 anos e foi convocado várias vezes para a Seleção. Qual é a história desse jogador, como ele foi descoberto pelo PSTC?
Sem dúvida, é uma grande promessa. Provavelmente deverá estar na equipe profissional do Atlético já no ano que vem, aí saberemos dizer se realmente trata-se de um fenômeno. De família humilde, foi trazido por um destes nossos parceiros radicados no interior de Rondônia quando tinha 13 anos, e em 10 minutos de treino já estava aprovado. Em seu primeiro campeonato, já foi o artilheiro da competição. Com o Ricardo, não houve necessidade de treino específico, mas sim dele mostrar suas qualidades de maneira coletiva.
Recentemente, o Atlético contratou o Ticão, que trabalhava como supervisor no PSTC. O clube também acertou com o técnico Leandro Niehues, outro ex-PSTC. Como vocês vêem esse assédio por parte do Furacão, isso faz parte da parceria?
Em 1995, o PSTC formou a sua primeira comissão técnica liderada por Antonio Humberto Nobre, o Canhoto, o nosso treinador que foi muito feliz, fazendo sucesso com sua primeira participação. Em 1996, perdemos o nosso grande treinador que foi contratado pelo Paraná Clube, nosso primeiro parceiro. Isso sem dúvida nos trouxe preocupação. Em 2000, perdemos outro grande treinador, Maurílio Evaristo, o Lio, para o Atlético. E em 2004, foi a vez do Aliomar Mansano (Ticão) e o Leandro Carlos Niehues seguirem o caminho do Lio. Nós do PSTC sem dúvida sentimos as perdas, mas ao mesmo tempo ficamos felizes pelo sucesso destes profissionais. A reposição é natural com pessoas criadas dentro da filosofia PSTC.
Há alguns anos, o clube parou de disputar competições da categoria júnior. Por qual razão isso aconteceu?
Vários foram os motivos, mas o principal foi justamente a parceria com o Atlético.
O PSTC está satisfeito com essa parceria?
Estamos em plena lua-de-mel com o Atlético e pretendemos renovar esta parceria sem nenhum constrangimento.
Em Curitiba, já chegou a se especular que Mario Celso Petraglia detém uma participação na sociedade do PSTC. Essa informação é verdadeira?
Seria uma honra ter o Mario Celso como sócio, mas é apenas boato.